AMY

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AMY, o polêmico documentário sobre a vida da cantora Amy Winehouse, finalmente estreou na Netflix. O documentário de 2015 teve uma curta passagem pelos cinemas.

Esse documentário me deixou muito pensativa. E triste. Porra, maior deprê. Porque de repente você percebe que o problema com a Amy não era único e exclusivo relacionado a drogas. É um problema que vai muito além. É falta de afeto familiar. De atenção. Falta de amor. É, eu sei, é piegas, mas fica muito claro durante o a edição do documentário. É a superexposição que celebridades são obrigadas a aguentar. É a falta de tato das pessoas ao redor que não percebem quando alguém quer ou não falar/tirar uma foto.

A Amy nunca teve muita direção dos pais.

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Sabe quando uma criança é teimosa e você vê os pais orientando, ou mesmo ficando putos e berrando e descendo o cacete? Isso nunca aconteceu com a menina Amy. De acordo com o documentário, ela era “teimosa de um gênio impossível”. Sua mãe não conseguia lhe dar um limite. Ela não sabia nem o que era limite, chegando inclusive a dizer para a própria mãe que ela pegava muito leve.

O relacionamento da menina com os pais ausentes é muito pautado do documentário. Em especial o pai, que apesar de estar lá, não estava lá. Dá pra entender? Ela amava o pai mais do que tudo, mas ele não parecia retribuir emocionalmente esse anseio por amor e atenção que ela obviamente gritava (em silêncio).

Ela pedia ajuda da forma que sabia

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Num determinado ponto, já adolescente e cantando com aquele seu estilo próprio e marca registrada, A Amy diz para a mãe:

Mãe, descobri uma dieta sensacional. Você come tudo o que quiser e depois bota tudo pra fora.

A mãe a ignorou. É uma fase. Depois, chegou para o pai e repetiu.

Pai, descobri uma dieta sensacional. Você come tudo o que quiser e depois bota tudo pra fora.

Como podem pai e mãe ignorar algo tão preocupante assim? Era muito óbvio que ela precisava de alguém que dissesse: Amy, isso está errado. Vamos procurar um tratamento. Mas isso não acontece e segue Amy fazendo merda desde a infância sem ninguém pra lhe aconselhar.

Amy não sabia lidar com perdas

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Amy tomava antidepressivos. Desde cedo. Alguns, segundo ela mesma, a deixavam até zonza. E ela não tinha um bom acompanhamento emocional. Se entregava de corpo e alma e acabava machucada. Parecia até ter uma relação próxima com a melancolia. Quando levava um pé na bunda ou até mesmo quando ela dava pé na bunda, parecia o fim do mundo. E, de uma forma, era mesmo. Pra ela.

Sua válvula de escape eram as músicas. Suas músicas são quase que inteiramente autobiográficas e descrevem exatamente o que ela passou, sentiu e agiu durante aquele período. O documentário mostra isso de forma incrível ao deixar a música contar a história.

Acho que a dor sempre foi seu maior inimigo e, paradoxalmente, seu maior combustível.

Relação com as drogas

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Ainda adolescente e, claramente, sem nenhum limite ou orientação, Amy bebia demais (e como) e usava maconha o dia inteiro. Inclusive esse segundo motivo foi o que a levou a se mudar da casa dos pais. Ela queria fumar maconha toda hora e não se sentia confortável fazendo isso na casa dos pais. Ela matava aula o tempo todo. A mãe chegava em casa ela estava lá com o namorado, ao invés de estar no colégio…

Depois de já fazer algum sucesso em Londres, com 20 anos, ela conhece o seu futuro marido e vampiro do caralho, Blake Fielder. Amy já usava drogas, obviamente. Mas o cara lhe introduziu ao mundo da heroína e crack. E como Amy era daquelas que se jogava de cabeça, obviamente os dois se viram rapidamente num vício frenético que, junto à bebida e bulimia, levou ao gradual fim da cantora.

Imprensa escrota

Lembra quando a Britney Spears deu uma enlouquecida e todo mundo ficou tirando onda dela, careca, atacando os paparazzi com um guarda-chuvas? Será que a visão das pessoas sobre esse acontecimento seria diferente se ela tivesse morrido pouco depois daquilo?

Porque sinceramente… que negócio escroto de ficar seguindo essas pessoas de pertinho e tirando foto. Puta merda, é irritante até de ver. Imagina você não conseguir dar uma porra de passo pra frente por causa dos flashes. Que porra tá errada com essa imprensa? Por que as pessoas precisam consumir fotos diárias de celebridades? Eu sei que já tive meus momentos fã histérica, mas se não tivesse foto nenhuma, cara, eu teria sobrevivido igual. A questão da falta de respeito é absurda.

Eu não tenho nem palavras pra descrever o profundo sentimento de tristeza que foi ver essa parte da vida da Amy se transformar de um dia pro outro. E isso a afetou demais.

No final das contas, a morte da Amy pesa nos ombros de todo mundo.

De você que dava risada das fotos escrotas. Da ausência de empatia com as dores que ela poderia estar sofrendo. Dos comediantes massacrando a Amy na TV. Do pai que levava câmera até quando ela estava dormindo, “Pai, pára de filmar, você quer dinheiro? Eu te dou dinheiro”  – porra, isso partiu meu coração.

Amy deixou músicas incríveis e, tivesse tempo, teria feito muitas outras durante a vida. Ao mesmo tempo fico me perguntando se não seria melhor pra ela nunca ter tido fama, nunca ter feito músicas, nunca ter sucumbido ao sucesso. Nunca teríamos o Back to Black, mas acho que ela estaria viva. Talvez feliz.

Sei lá. Eu queria que ela tivesse tido mais compreensão. Mais amor. E mais tempo.

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