Ando vendo por aí

[#6] – E agora?

Da série: A Caverna – dicas e tutoriais para escrever ficção
Por: Mia
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E agora?

Você já sabe induzir o sonho fictício, criar detalhes vívidos, mostrar e não contar, criar personagens que o leitor irá simpatizar, empatizar, se identificar e transportar o leitor para sua história… beleza, mas e agora?

Como começar? 

– Escreva sobre o que gosta (não necessariamente sobre o que sabe).

É muito mais fácil a história se desenvolver quando você gosta do assunto.

Se você, que é quem está escrevendo e vai passar mais tempo olhando para a história, não gostar, quem é que vai? Se ela não te agrada e não te envolve com emoções, ideias, medo, raiva, solidão, tristeza… então como outras pessoas sentirão?

Fora que é difícil dizer “Escreva sobre o que você sabe” para alguém que curte o tema “Alienígenas“… sério, o que sabemos sobre alienígenas?

Só os clichês, certo?

– Falando em clichê…

Tem gente que é muito paranóico com clichê (né, Arquiles?), mas quando não há saída: “o clichê geralmente funciona, é por isso que é clichê…” e quem disse isso foi o Roman Polanski.

E ele disse “geralmente funciona” porque se usado da maneira errada, o resultado pode ser desastroso.

Lembre-se: o que torna a história original é você.

– São pessoas que você conhece

Personagens não são pessoas, mas certamente são baseados nelas. E você as conhece! Pode existir um personagem com carcterísticas daquela sua tia hipocondríaca, do mala do seu irmão e da mulher que sempre almoça sozinha no restaurante em frente ao seu trabalho.

Conheça seus personagens da melhor forma possível e ele não irá se perder nas páginas da sua história.

J.K. Rowling, autora da série Harry Potter, passou anos trabalhando na personalidade de cada personagem dos livros. E é por isso que eles são tão tridimensionais. Às vezes dá a sensação de que você os conhece muito bem.

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[Parte #5] – O Leitor Transportado

Fonte: ‘How To Write a Damn Good Novel’ de James N. Frey.
Tradução quase literal por: Mia
PARTE 5 – O LEITOR TRANSPORTADO

ULTIMA PARTE DA SÉRIE 

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Quando transportado, o leitor meio que entra numa espécie de bolha, totalmente envolvido no mundo fictício a ponto em que o mundo real se evapora. Esse é o objetivo do escritor de ficção: levar o leitor a ponto da completa absorção com os personagens e seu mundo.

Em hipnose, isso é chamado de estado pleno. O hipnotizador, em controle, sugere que o sujeito imite um pato e ele o fará com toda a felicidade. Se um escritor de ficção levar o leitor ao estado pleno, o leitor chora, ri e sente a dor do personagem, pensa o que o que o personagem pensa e participa das decisões dele.

Leitores nesse estado podem ficar tão concentrados que para chamar sua atenção, muitas vezes precisam ser sacudidos. “Ei, Charlie! Larga esse livro! O jantar está pronto! Tá surdo?

Então como levar seu leitor da simpatia, identificação e empatia para o estado de total absorção? A resposta: conflito interno.

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[Parte #4] – Empatia

Fonte: ‘How To Write a Damn Good Novel’ de James N. Frey.
Tradução quase literal por: Mia
PARTE 4 – EMPATIA 

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Apesar de sentir pena de um personagem que está passando por, digamos, solidão, o leitor pode não sentir realmente a solidão dele. Mas através da empatia com o personagem, o leitor sentirá o que o personagem está sentindo. Empatia é uma emoção muito mais poderosa do que a simpatia.

Às vezes quando uma esposa está para dar a luz, o marido também sentirá as dores do parto. Esse é um exemplo de empatia; ele enfatiza ao ponto de realmente sofrer, sofrimento de dor física.

Digamos que você vá a um funeral. Você não conhecia o falecido, Herman Weatherby; ele era irmão da sua amiga Agnes. Sua amiga está de luto, mas você não. Você nem conhecia Herman. Você sente pena de Agnes porque ela está muito triste.

O velório ainda não começou. Você e Agnes vão dar uma volta pelo jardim da igreja. Ela começa a contar a você como Herman era. Como ele estava estudando para ser fisioterapeuta e poder devotar sua vida a ajudar crianças especiais. Como tinha um senso de humor maravilhoso e fazia uma ótima imitação de Richard Nixon e uma vez na faculdade jogou uma torta na cara de um professor que o deu nota 4. Parece que Herman era um cara legal.

Enquanto Agnes trás de volta a vida de seu irmão, você vai o conhecendo e começa a sentir algo além de mera simpatia. Você começa a sentir a perda que o mundo sofrerá por aquele homem inteligente, criativo e maluco… você começa a sentir empatia pela sua amiga, e agora você começa a sentir o luto dela. É esse o poder da empatia.

Agora como um escritor de ficção consegue fazer com que o leitor sinta empatia?

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[Parte #3] – Identificação

Fonte: ‘How To Write a Damn Good Novel’ de James N. Frey.
Tradução quase literal por: Mia
PARTE 3 – IDENTIFICAÇÃO 

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Identificação é muito confundida com simpatia. Simpatia é conquistada quando o leitor sente pena da situação de algum personagem. Mas um leitor pode sentir pena de um miserável repugnante que está prestes a se ferrar, sem ainda sentir identificação com ele.

Identificação acontece quando o leitor não somente sente simpatia pela situação do personagem, como também apoia seus objetivos, aspirações e tem um forte desejo de que o personagem consiga alcançá-los.

Em Tubarão, o leitor apoia o objetivo de Brody de destruir o tubarão.

Em Carrie, a Estranha, o leitor apoia os anseios de Carrie em ir ao baile, contra os desejos de sua tirana mãe.

Em Orgulho e Preconceito, o leitor apoia o desejo de Elizabeth de se apaixonar e se casar.

Em O Processo, o leitor apoia a determinação de K para se libertar das garras da lei.

Em Crime e Castigo, o leitor apoia o desejo de Raskolnikov de escapar da pobreza.

Em A Glória de um Covarde, o leitor apoia o desejo de Henry de provar a si mesmo que não é covarde.

Em E o Vento Levou, o leitor apoia o desejo de Scarlett de conseguir de volta sua plantação depois que ela é destruída pelos Yankees.

Massa, você diz, mas e se você está escrevendo sobre um repugnante infeliz? Como fazer para que os leitores se identifiquem com ele? Fácil.

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[Parte #2] – Simpatia

Parte da série de tutoriais sobre escrita: A Caverna.

Fonte: ‘How To Write a Damn Good Novel’ de James N. Frey.
Tradução quase literal por: Mia
PARTE 2 – SIMPATIA 

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Ganhar a simpatia do leitor pelos seus personagens é crucial para introduzir sonhos fictícios e se você não conseguiu induzir o sonho fictício, então não conseguiu escrever uma história boa pra cacete.

Simpatia é um conceito frequentemente incompreendido. Alguns autores criaram a pseudo-regra de que para o leitor ter simpatia por um personagem, esse personagem precisa ser admirável. Isso evidentemente não é certo. Muitos leitores têm bastante simpatia por personagens como o Moll Flanders, do Defoe, ou o Fagin de Oliver Twist, do Dikens ou Long Jonhson Silver em Treasure Island, do Stevenson.Não são personagens nem um pouco admiráveis. Moll Flanders é mentiroso, ladrão e bigamo; Fagin corrompe jovens e Long John Silver é um patife, traidor e pirata.

Há alguns anos existiu um filme chamado Touro Indomável (Raging Bull) sobre um ex lutador, campeão de box categoria peso-médio, Jake LaMotta. O personagen no filme bate na mulher, então se divorcia quando está começando a fazer sucesso no ring. Ele seduz garotas menores, tem um temperamento violento alimentado pela paranóia e fala grunhindo. Era totalmente selvagem dentro e fora do ring. Ainda assim LaMotta, interpretado por Robert De Niro, recebeu grande simpatia da audiência.

Como esse milagre é possível?

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